Quando surge a necessidade de crédito, duas opções dominam o mercado brasileiro: o empréstimo pessoal e o empréstimo consignado. Embora pareçam semelhantes, as diferenças entre eles podem significar milhares de reais a mais ou a menos na sua conta ao final do contrato. Segundo o Banco Central, a taxa média do crédito pessoal em 2026 é de 6,2% ao mês, enquanto o consignado fica em torno de 1,8% ao mês — uma diferença de mais de 3 vezes.

Neste comparativo completo, vamos analisar cada modalidade em detalhes para que você tome a decisão mais inteligente para o seu bolso.

O Que É Empréstimo Pessoal

O empréstimo pessoal (também chamado de crédito pessoal não consignado) é uma modalidade em que o banco libera um valor na sua conta e você paga em parcelas mensais, via boleto ou débito automático. Não há garantia real nem desconto em folha — você escolhe quando e como pagar.

Características principais:

  • Aprovação baseada em score, renda e histórico
  • Sem desconto em folha de pagamento
  • Taxas mais altas (maior risco para o banco)
  • Disponível para qualquer pessoa com CPF e renda comprovável
  • Parcelas de 3 a 60 meses na maioria das instituições

O Que É Empréstimo Consignado

O consignado é um empréstimo com desconto direto na folha de pagamento ou benefício (INSS, salário de servidor público, etc.). Como o banco tem garantia do recebimento, as taxas são significativamente menores.

Características principais:

  • Parcelas descontadas automaticamente do salário ou benefício
  • Taxas de juros muito menores
  • Disponível para CLT, servidores públicos e aposentados/pensionistas do INSS
  • Margem consignável: até 35% da renda (+ 5% para cartão consignado)
  • Parcelas de 12 a 84 meses (INSS) ou até 120 meses (servidores)

Comparativo Completo: Pessoal vs Consignado

CritérioEmpréstimo PessoalEmpréstimo Consignado
Taxa de juros média5% a 8% ao mês1,5% a 2,5% ao mês
Taxa anual (CET)80% a 150% a.a.20% a 35% a.a.
Quem pode contratarQualquer pessoa com rendaCLT, servidores, INSS
Forma de pagamentoBoleto ou débitoDesconto em folha
GarantiaNenhumaSalário/benefício
Prazo máximo48 a 60 meses84 a 120 meses
Valor máximoVaria com score/rendaLimitado pela margem
Risco de inadimplênciaAltoMuito baixo
Aprovação para negativadosDifícilPossível (INSS)
FlexibilidadeAlta (pode antecipar parcelas)Baixa (desconto automático)

Simulação Prática: R$ 10.000 em 24 Meses

Vamos comparar quanto você pagaria no total em cada modalidade:

ItemPessoal (6% a.m.)Consignado (1,8% a.m.)
Valor emprestadoR$ 10.000R$ 10.000
Parcela mensalR$ 726R$ 543
Total pagoR$ 17.424R$ 13.032
Juros pagosR$ 7.424R$ 3.032
EconomiaR$ 4.392

A diferença de R$ 4.392 é suficiente para questionar qualquer decisão automática. Se você tem direito ao consignado, ele quase sempre será a melhor opção. Entenda também como a taxa CET afeta o custo real do empréstimo.

Quando Escolher o Empréstimo Pessoal

O pessoal faz sentido em situações específicas:

  • Você não é CLT, servidor ou aposentado — não tem acesso ao consignado
  • Precisa de flexibilidade — quer poder antecipar parcelas sem burocracia
  • Valor pequeno e prazo curto — a diferença de juros é menos significativa
  • Já comprometeu a margem consignável — e precisa de crédito adicional
  • Precisa do dinheiro urgente — fintechs liberam em minutos, consignado pode levar dias

Fintechs como Nubank, Creditas e PicPay oferecem empréstimo pessoal com taxas a partir de 2,5% ao mês para clientes com bom histórico — bem abaixo da média de mercado.

Quando Escolher o Empréstimo Consignado

O consignado é recomendado quando:

  • Você é CLT, servidor público ou beneficiário do INSS
  • Precisa de valores maiores com parcelas que cabem no orçamento
  • Quer a menor taxa possível — o consignado é o crédito mais barato do Brasil
  • Tem nome restrito — o consignado para INSS aceita negativados porque a garantia é o benefício
  • Prazo longo é importante — até 84 meses reduz o valor da parcela

Cuidados com o Consignado

Apesar das taxas baixas, fique atento:

  1. Margem comprometida — ao tomar consignado, parte do seu salário fica travada por meses ou anos
  2. Demissão (CLT) — se sair do emprego, as parcelas viram boleto com taxa maior
  3. Refinanciamento excessivo — bancos oferecem "portabilidade" que na verdade aumenta o prazo e o custo total
  4. Vendedores agressivos — desconfie de ligações oferecendo consignado, especialmente para aposentados

Alternativas a Considerar

Antes de contratar qualquer empréstimo, avalie se outras opções não seriam melhores:

  • Antecipação do FGTS — taxas a partir de 1,5% ao mês, sem comprometer margem
  • Portabilidade de crédito — transferir dívida para banco com taxa menor
  • Refinanciamento — renegociar condições de empréstimo existente
  • Crédito com garantia — usar imóvel ou veículo como garantia para taxas reduzidas (a partir de 0,8% a.m.)

Perguntas Frequentes

Posso ter empréstimo pessoal e consignado ao mesmo tempo?

Sim. São modalidades independentes. O pessoal é avaliado pela sua capacidade de pagamento total, e o consignado é limitado pela margem da folha. Porém, ambos comprometem sua renda, então avalie se a soma das parcelas cabe no orçamento.

MEI pode fazer empréstimo consignado?

Não no modelo tradicional. O consignado exige vínculo empregatício CLT, cargo público ou benefício INSS. MEIs podem acessar crédito pessoal ou linhas específicas como o microcrédito produtivo, com taxas subsidiadas pelo governo.

Qual a taxa de juros mais baixa para empréstimo em 2026?

O consignado para servidores públicos tem as menores taxas: a partir de 1,2% ao mês. Para INSS, a taxa teto é definida pelo governo e fica em torno de 1,80% ao mês. No pessoal, fintechs chegam a 2,5% ao mês para perfis de baixo risco.